Juíza retorna à escola onde estudou para falar sobre prevenção da violência de gênero

A juíza Katylene Collyer Pires de Figueiredo realizou a palestra vestida de toga dentro da sala de aula Esta segunda-feira, dia 30 de março, foi marcada por emoção e reflexão na Escola Municipal Estácio de Sá, na Urca, Zona Sul do Rio. A juíza Katylene Collyer Pires de Figueiredo voltou ao local em que estudou para participar do Programa Rio Lilás. Titular do Juizado de Violência Doméstica de Barra do Piraí do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), ela conduziu uma roda de conversa com alunos sobre a importância da prevenção da violência de gênero e doméstica.  “Quando a violência chega ao tribunal, ela já aconteceu. Por isso, precisamos trabalhar a prevenção. Só assim vamos construir um mundo melhor”, afirmou a magistrada, também da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (COEM), destacando que o projeto nas escolas é essencial para mudar mentalidades desde cedo. Visivelmente emocionada, a juíza falou sobre a experiência de retornar ao espaço onde nasceu sua vocação para a magistratura. “Foi aqui que surgiu a ideia de ser juíza. A diretora na época me orientava e isso foi fundamental para mim”, disse, ao lembrar sua trajetória.  A magistrada ressaltou que o trabalho não se limita às meninas, mas também aos meninos, que precisam aprender desde cedo sobre respeito e sentimentos. “A educação para os meninos e para os homens é fundamental. Queremos que eles não cresçam com uma ideia errada do que é ser homem. Resolver as coisas com diálogo é o caminho”, explicou. Ela também alertou sobre a dificuldade que muitos rapazes têm em expressar emoções. “É como uma panela de pressão: o sentimento negativo vai sendo guardado e, em um momento inapropriado, explode. Falar de sentimentos não diminui ninguém, faz parte do ser humano”, destacou. Outro ponto abordado foi o impacto das redes sociais e dos estereótipos machistas propagados por influenciadores. A juíza alertou os estudantes sobre os riscos da exposição digital. “A internet não tem dono. Uma foto vazada circula sem controle. Não se exponham, porque isso pode virar chantagem e trazer consequências graves". A juíza Katylene Collyer Pires de Figueiredo se emociona com a homenagem preparada pela direção e pelos alunos: uma maquete da Casa da Mulher de Barra do Piraí e a inauguração do Espaço Maria da Penha, um cantinho lilás com livros sobre violência de gênero e direitos das mulheres A visita foi marcada por uma surpresa preparada pela direção e pelos alunos: uma maquete da Casa da Mulher de Barra do Piraí e a inauguração do Espaço Maria da Penha, um cantinho lilás com livros sobre violência de gênero e direitos das mulheres. “É um trabalho que desperta aptidões e mostra que qualquer criança pode sonhar alto, como a magistrada que estudou aqui e hoje é exemplo”, disse a diretora Patrícia Machado de Azevedo. Intitulada “Conexão TJ x Escola”, a atividade visa promover bate-papos com magistradas em unidades escolares da capital fluminense, a conscientização sobre a violência contra meninas e mulheres. Segundo Carla Souza, pedagoga do TJRJ, o Programa Rio Lilás foi construído com metodologia a partir da escuta da rede de enfrentamento à violência e transformado em material pedagógico para professores e alunos. “Nosso trabalho é trazer esse assunto denso de forma acessível, com cartilhas, folders e apoio audiovisual”, explicou. Estudantes participaram ativamente e elogiaram a iniciativa   A roda de conversa também contou com a participação ativa dos estudantes. Y., aluna do 9º ano, de 14 anos, destacou a importância da iniciativa: “Eu acho que foi algo muito importante, tanto para os meninos quanto para as meninas. Antes de estudar aqui, eu estava em uma escola que não tinha essas oportunidades, não tinha palestras nem trabalhos sobre esse tema. É fundamental que outras escolas também tenham”. Ela relatou ainda a percepção sobre os colegas: “Alguns meninos acham certas atitudes normais, mas não são. Muitos têm vergonha de falar sobre isso e pediram para eu perguntar por eles. É um assunto delicado, porque muitos falam das meninas como se fossem objetos”. Ao final, Y. reforçou que a escola tem papel essencial na orientação: “Aqui temos incentivo dos professores. Quando um colega passou dos limites com comentários sobre aparência, a professora disse que ia apresentar um projeto para explicar como uma simples brincadeira pode afetar a vida de alguém". A juíza encerrou o encontro com uma mensagem de esperança. “Prevenção é válida nas escolas, nas famílias e na mídia. Só assim construiremos uma sociedade mais igualitária.” Lançado em agosto de 2025, o programa Rio Lilás percorre escolas públicas do Estado. De setembro do ano passado até hoje o programa alcançou 10 escolas municipais, incluindo Belford Roxo e Barra do Piraí. A coordenadora do Núcleo de Promoção de Políticas Especiais de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar (NUPEVID), Jaqueline Leite Vianna Campos, acompanhou o encontro na sala de aula e na biblioteca do colégio. Ela explicou que a conexão com a escola é feita com antecedência para que os profissionais de educação iniciam a abordagem do tema antes da roda de conversa. “As professoras já conversaram sobre o programa antes para eles se sentirem à vontade no bate-papo e confortáveis para tirar qualquer dúvida. O diferencial do nosso trabalho é a metodologia de trazer o tema para a escola antes da palestra. Essa escola aproveitou para fazer uma homenagem para a juíza que já estudou aqui. Nós chegamos para trabalhar violência de gênero, mas acabamos trabalhando outras questões também”, disse. SV/ MG Fotos: Rafael Oliveiras/TJRJ
30/03/2026 (00:00)

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